A história do Acre foi construída por diferentes grupos e lideranças ao longo de mais de um século. Seringueiros, trabalhadores migrantes, militares, políticos, sindicalistas e defensores da floresta participaram de momentos decisivos para a formação do território e do estado.
Entre os principais personagens da história do Acre estão Luiz Galvez, José Plácido de Castro, o Barão do Rio Branco, José Guiomard dos Santos, José Augusto de Araújo, Wilson Pinheiro e Chico Mendes.
Luiz Galvez e a criação do Estado Independente do Acre
Luiz Galvez Rodrigues de Arias foi um jornalista e diplomata espanhol que participou dos acontecimentos políticos do fim do século 19. Em 1899, liderou a proclamação do chamado Estado Independente do Acre, movimento que expressava a presença de brasileiros na região e a resistência à administração boliviana.
A experiência foi breve, mas entrou para a história como um dos episódios que antecederam a Revolução Acreana. O período também ficou conhecido como República de Galvez. (casacivil.ac.gov.br)
Plácido de Castro e a Revolução Acreana
José Plácido de Castro foi o principal líder militar da Revolução Acreana, conflito iniciado no começo do século 20 contra o domínio boliviano. Gaúcho, chegou à região no fim do século 19 e passou a atuar como agrimensor antes de assumir o comando das forças revolucionárias.
Sob sua liderança, seringueiros e outros moradores participaram de combates que terminaram em 1903. O Tratado de Petrópolis, assinado em 17 de novembro daquele ano, formalizou a incorporação do Acre ao Brasil. (agencia.ac.gov.br)
Barão do Rio Branco e a negociação com a Bolívia
José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco, era ministro das Relações Exteriores quando o Brasil negociou o acordo que definiu a situação do Acre. Sua atuação diplomática foi decisiva para a assinatura do Tratado de Petrópolis, que também estabeleceu compromissos entre os dois países.
Enquanto Plácido de Castro ficou associado à luta armada, Rio Branco representou a frente diplomática responsável pelo entendimento final.
José Guiomard e José Augusto na fase de autonomia
Décadas depois, José Guiomard dos Santos e José Augusto de Araújo se destacaram no processo que levou o Acre a deixar de ser território federal e se tornar estado.
Guiomard dos Santos apresentou no Congresso Nacional o projeto que defendia a elevação do Acre à condição de estado. José Augusto, por sua vez, foi eleito em 1962 e tomou posse, em março de 1963, como o primeiro governador eleito pelo voto popular no Acre. Seu mandato foi interrompido após o golpe militar de 1964. (agencia.ac.gov.br)
Wilson Pinheiro e Chico Mendes na defesa dos povos da floresta
No século 20, a expansão da pecuária e os conflitos fundiários levaram seringueiros a organizar movimentos em defesa das comunidades extrativistas. Wilson Pinheiro foi uma das principais lideranças sindicais desse período. Após seu assassinato, em 1980, Chico Mendes ganhou maior projeção na organização dos trabalhadores rurais de Xapuri.
Nascido em Xapuri, Chico Mendes atuou como seringueiro, sindicalista e ambientalista. Ele defendeu os chamados empates, mobilizações comunitárias para impedir o desmatamento e a expulsão de famílias. Também participou da criação do Conselho Nacional dos Seringueiros e da defesa das reservas extrativistas. Foi assassinado em 22 de dezembro de 1988. (casacivil.ac.gov.br)
Uma história feita por muitas pessoas
Esses personagens ajudam a compreender diferentes etapas da história do Acre: a disputa territorial, a negociação diplomática, a formação política e a defesa da floresta. A trajetória acreana, porém, também foi construída pela participação de milhares de seringueiros, ribeirinhos, povos indígenas, migrantes e trabalhadores que viveram e transformaram a região.
