sábado, 26 de setembro de 2026
Política

Como funciona a votação em comunidades de difícil acesso no Acre

No Acre, a votação em comunidades de difícil acesso depende de planejamento logístico, transporte multimodal e medidas de contingência para garantir que o eleitor consiga exercer o direito ao voto.

A votação em comunidades de difícil acesso no Acre exige uma operação diferente da realizada nos centros urbanos. Em áreas ribeirinhas, aldeias indígenas, seringais e localidades rurais isoladas, a Justiça Eleitoral precisa planejar com antecedência o transporte de urnas, equipes, materiais, equipamentos de comunicação e, em alguns casos, dos próprios eleitores.

O objetivo é garantir que as condições geográficas do estado não impeçam o exercício do voto. Para isso, o Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) combina deslocamentos por estradas, rios e vias aéreas, de acordo com as características de cada comunidade e com as condições encontradas no período da eleição.

Transporte pode envolver barcos, veículos e aeronaves

Nas regiões mais distantes, as urnas eletrônicas são transportadas por diferentes meios. O deslocamento pode ser feito em veículos terrestres, barcos, voadeiras, helicópteros ou aviões, conforme a existência de estradas, a navegabilidade dos rios e a distância até o local de votação. O Tribunal Superior Eleitoral informa que a distribuição das urnas varia conforme as necessidades de cada zona eleitoral e que localidades remotas podem ser atendidas por embarcações e aeronaves. (tse.jus.br)

No Acre, o planejamento também considera fatores como estiagem, fumaça, interrupções de energia, falhas de telecomunicações, problemas nas estradas e alterações nas condições dos rios. Essas situações podem modificar rotas e exigir alternativas preparadas previamente pelo TRE-AC. (tre-ac.jus.br)

Preparação começa antes do dia da eleição

As seções eleitorais em áreas de difícil acesso são organizadas com antecedência. As equipes definem as rotas, os pontos de saída, os horários de deslocamento, a distribuição das urnas e os locais onde os equipamentos serão instalados. Em alguns casos, a chegada precisa ocorrer no dia anterior para que a seção seja montada e testada antes do início da votação.

O planejamento também envolve a segurança dos locais, o armazenamento temporário dos equipamentos e o recolhimento das urnas depois do encerramento da votação. Em Xapuri, por exemplo, o TRE-AC informou que existem locais que exigem logística diferenciada, com protocolos específicos de transporte, segurança e distribuição das urnas. (tre-ac.jus.br)

Energia e comunicação são pontos críticos

Em localidades sem infraestrutura regular, a Justiça Eleitoral precisa prever fontes alternativas de energia e formas de comunicação. A operação pode incluir equipamentos de apoio para transmissão de arquivos e contato entre as equipes, especialmente quando não há sinal de telefonia ou internet disponível.

Para as Eleições Gerais de 2026, o TRE-AC informou ter recebido 91 antenas Starlink Mini para ampliar a capacidade de transmissão de arquivos em locais de difícil acesso. O recurso integra um conjunto de medidas de contingência que também considera rotas alternativas, transporte de reserva e soluções para eventuais interrupções de energia. (tre-ac.jus.br)

Como o eleitor vota

Depois de instalada a seção, o procedimento é o mesmo aplicado em outras partes do país. O eleitor apresenta um documento oficial com foto, tem a identidade conferida pelos mesários e utiliza a urna eletrônica para registrar os votos. Antes do início da votação, o presidente da mesa emite a zerésima, relatório que comprova que não há votos registrados no equipamento.

Ao fim do horário eleitoral, a urna é encerrada e os dados são registrados. Em seguida, a equipe providencia a transmissão ou o transporte das informações e dos documentos eleitorais, conforme a estrutura disponível na localidade.

Transporte gratuito também pode atender eleitores

A legislação eleitoral prevê a disponibilização de veículos e embarcações para o transporte gratuito de eleitores que vivem em zonas rurais, territórios indígenas, comunidades quilombolas e outras comunidades tradicionais até os locais de votação. A organização desse serviço depende do planejamento da Justiça Eleitoral e da cooperação com órgãos públicos. (tse.jus.br)

Assim, votar em uma comunidade isolada no Acre depende de uma cadeia de operações que começa muito antes da abertura das urnas. O trabalho reúne planejamento territorial, transporte, comunicação, segurança e mecanismos de contingência para assegurar a continuidade da votação mesmo em áreas onde o acesso é condicionado pelo clima, pelos rios e pela infraestrutura disponível.