Levar urnas eletrônicas a comunidades ribeirinhas do Acre exige uma operação que começa antes do dia da votação e combina tecnologia, transporte fluvial, veículos apropriados e, em algumas localidades, apoio aéreo. O objetivo é garantir que eleitores de áreas isoladas também tenham acesso às seções eleitorais.
Nas Eleições Gerais de 2026, o Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) informou que o estado terá 2.270 seções eleitorais. Parte delas está instalada em comunidades rurais, ribeirinhas, aldeias indígenas, seringais e outros locais de difícil acesso.
Preparação começa em Rio Branco
A primeira etapa da logística ocorre na sede do TRE-AC, em Rio Branco. É ali que são geradas as mídias usadas na preparação das urnas eletrônicas. Esses dispositivos recebem informações necessárias à votação, como dados do eleitorado, das seções, dos sistemas eleitorais e das candidaturas aptas, incluindo nomes, números e fotografias.
Em setembro de 2026, o tribunal iniciou a geração de mais de 6 mil mídias para o pleito. O procedimento é realizado em cerimônia pública e pode ser acompanhado por partidos políticos, imprensa, Ministério Público e demais entidades fiscalizadoras.
Depois da geração, as mídias são encaminhadas às zonas eleitorais. Nessa fase, ocorre a preparação final dos equipamentos, também em cerimônias públicas. As urnas são configuradas para funcionar como equipamentos de votação ou de contingência, recebem lacres de segurança e passam pelos procedimentos de conferência previstos pela Justiça Eleitoral.
Transporte por rios e estradas
Concluída essa etapa, começa a distribuição. Em áreas onde não há acesso rodoviário regular, as urnas e os materiais eleitorais seguem por barcos, voadeiras e rabetas, embarcações comuns na circulação pelos rios e igarapés da Amazônia.
O planejamento considera as condições dos rios, a distância entre as comunidades, a existência de portos e a necessidade de transportar, além das urnas, equipes eleitorais, mesários, cabos, baterias, documentos e outros materiais utilizados na votação.
Em localidades que não podem ser alcançadas por via fluvial ou terrestre em tempo adequado, o TRE-AC pode contar com apoio aéreo. Em operações anteriores, helicópteros foram usados para levar urnas, mesários e policiais a pontos remotos. A definição das rotas depende das características de cada zona eleitoral e das condições de acesso.
Comunicação após o encerramento da votação
A conectividade também faz parte da operação. Para as Eleições 2026, o TRE-AC informou que recebeu 91 antenas Starlink Mini destinadas principalmente a comunidades ribeirinhas, localidades isoladas e aldeias indígenas.
A conexão via satélite não é usada para conectar a urna à internet durante a votação. Segundo o tribunal, a urna permanece isolada de redes como Wi-Fi, Bluetooth e NFC. Após o encerramento dos trabalhos, um computador portátil lê a mídia de resultado produzida pela urna e transmite os dados por meio da conexão disponível no local.
Com isso, a Justiça Eleitoral busca reduzir o deslocamento das equipes depois da votação, especialmente em regiões onde a viagem de retorno pode levar horas ou dias. A operação, no entanto, continua dependendo de planejamento antecipado, segurança e condições de navegação ou de voo.
Mais informações sobre as etapas de preparação e distribuição podem ser consultadas no site do TRE do Acre.