Um roteiro pelas cidades históricas do Acre permite conhecer diferentes momentos da formação do estado: a ocupação ligada ao ciclo da borracha, a Revolução Acreana, a construção de Rio Branco como capital e a luta socioambiental liderada por Chico Mendes. O percurso pode começar em Rio Branco e seguir pela BR-317 em direção ao Alto Acre, com paradas em Xapuri e Brasiléia.
Antes de viajar, confirme horários de funcionamento, condições das estradas e necessidade de agendamento nos atrativos. A oferta de transporte e os períodos de visitação podem variar, especialmente em áreas rurais e em locais sujeitos à cheia dos rios.
Rio Branco: início do roteiro histórico
Na capital, reserve pelo menos um dia para conhecer o centro histórico e a margem do rio Acre. A cidade surgiu no fim do século 19, em uma área associada ao seringal Volta da Empreza e à histórica gameleira, referência para a origem do núcleo urbano. A trajetória de Rio Branco está ligada à economia da borracha, à diversidade cultural amazônica e aos conflitos que antecederam a incorporação do Acre ao Brasil. (turismo.riobranco.ac.gov.br)
O passeio pode começar pela Praça da Revolução, onde está a estátua de Plácido de Castro, e continuar pelo Palácio Rio Branco, pelo Memorial dos Autonomistas, pelo Teatro Hélio Melo e pelos prédios históricos do centro. Também vale incluir o Museu dos Povos Acreanos, o Museu da Borracha, a Catedral Nossa Senhora de Nazaré e o Calçadão da Gameleira. O município oferece city tours conduzidos por guias de turismo, uma alternativa para conhecer os locais com explicações sobre a história regional. (sete.ac.gov.br)
Xapuri: memória de Chico Mendes e do ciclo da borracha
A segunda parada é Xapuri, cidade fundada oficialmente em 1904 e reconhecida pela relação com a história dos seringueiros, dos chamados empates e da defesa da floresta. No centro, a Rua do Comércio preserva a memória do período em que casas comerciais recebiam mercadorias transportadas pelo rio Acre durante o auge da economia da borracha. (gov.br)
A Casa de Chico Mendes é o principal ponto de visitação histórica. O imóvel, localizado no centro de Xapuri, foi a residência do líder seringueiro e ambientalista, assassinado em 22 de dezembro de 1988. O espaço preserva a memória de sua trajetória e ajuda a compreender os conflitos sociais e ambientais da Amazônia acreana. A Igreja de São Sebastião, a Praça São Sebastião e as margens dos rios Acre e Xapuri completam o passeio urbano. (xapuri.ac.gov.br)
Brasiléia: história, fronteira e conexão com a Bolívia
Brasiléia pode encerrar o roteiro. O município foi fundado em 3 de julho de 1910, às margens do rio Acre, em frente à cidade boliviana de Cobija. A origem está ligada ao antigo Seringal Carmem e à expansão da atividade seringalista no Alto Acre. O nome original era Brasília, alterado para Brasiléia em 1943. (brasileia.ac.gov.br)
Na cidade, o visitante pode procurar informações sobre o Memorial Wilson Pinheiro, espaço associado à memória dos movimentos de trabalhadores rurais e da luta pela floresta. A região também integra experiências relacionadas à Reserva Extrativista Chico Mendes e à fronteira amazônica. A travessia ou visita a Cobija deve ser planejada conforme as regras vigentes de circulação entre Brasil e Bolívia.
Como organizar a viagem
Para um roteiro sem pressa, considere quatro dias: um para Rio Branco, dois para Xapuri e um para Brasiléia. Quem quiser visitar seringais, reservas extrativistas ou fazer trilhas deve reservar mais tempo e contratar operadores ou guias credenciados. Leve documentos, água, proteção contra sol e chuva e confirme previamente os serviços disponíveis. Em áreas naturais, respeite as comunidades, não retire objetos e siga as orientações ambientais.