O Partido Liberal (PL) deverá formar a maior bancada do Senado no início de uma legislatura desde a promulgação da Constituição de 1988. A legenda elegeu 19 senadores nas eleições realizadas em 4 de outubro de 2026 e poderá chegar a 28 integrantes a partir de fevereiro de 2027, quando os novos parlamentares tomarem posse.
A projeção supera o recorde anterior, registrado pelo então PMDB em 1999, quando o partido iniciou a legislatura com 27 senadores. O cálculo, no entanto, ainda não é definitivo. Mudanças de partido, nomeações para ministérios, substituição de titulares e decisões judiciais podem alterar a composição das bancadas até o começo da próxima legislatura.
O resultado também modifica o equilíbrio de forças no Senado. O PT deverá aparecer em segundo lugar, com nove senadores, seguido pelo MDB, com oito. Nenhuma das duas bancadas deverá alcançar um terço do tamanho projetado para o PL.
PL amplia presença no Senado
O desempenho do PL nas urnas teve impacto tanto no tamanho da bancada quanto na distribuição partidária do Senado. A legenda elegeu 19 dos 54 senadores que estavam em disputa em 2026, o equivalente a 35,2% das cadeiras renovadas neste ano.
Esse foi o maior número de senadores eleitos por um partido em uma mesma eleição desde a Constituição de 1988. O recorde anterior era de 14 eleitos, marca alcançada pelo PMDB em 1994 e em 2010 e pelo extinto PFL em 2002.
Em termos proporcionais, o resultado do PL ficou abaixo apenas do desempenho do PMDB em 1998. Naquele ano, o partido conquistou 44,4% das cadeiras em disputa, mas a renovação ocorreu em um universo menor, de 27 vagas.
O PL também elegeu os dois senadores de cinco unidades da Federação. As chamadas “dobradinhas” ocorreram no Distrito Federal, em Mato Grosso do Sul, no Rio de Janeiro, em Rondônia e em Santa Catarina.
Desde 1988, o maior número de dobradinhas obtido por um partido em uma mesma eleição havia sido três. O PFL alcançou essa marca em 1994 e novamente em 2002.
Projeção para fevereiro de 2027
O cálculo da futura bancada do PL considera os 19 senadores eleitos e a composição atual da Casa. Também leva em conta a situação de senadores titulares e suplentes que poderão assumir mandatos antes do início da nova legislatura.
Entre os casos considerados está o de Cleitinho, do Republicanos de Minas Gerais. Ele foi eleito governador e seu primeiro suplente é Alex Diniz, filiado ao PL. Caso a substituição se confirme, o suplente ocupará a cadeira no Senado pela legenda liberal.
Outro caso envolve Sergio Moro, do PL do Paraná, também eleito para o governo estadual. Seu primeiro suplente, Luís Felipe Cunha, é filiado ao União. A eventual posse do suplente, portanto, terá efeito sobre a composição partidária da Casa.
O levantamento também considera o senador Romário, do Rio de Janeiro, que atualmente está sem partido. A definição sobre sua situação poderá influenciar o tamanho final das bancadas.
Os números são uma previsão baseada nas bancadas atuais e nos resultados das eleições de 2026. Até fevereiro, senadores eleitos ou parlamentares que já têm mandato poderão trocar de partido ou assumir cargos no Executivo, modificando o quadro projetado.
Segundo turno pode alterar composição
A disputa pelos governos estaduais também poderá provocar novas mudanças no Senado. Três senadores que ainda têm mais quatro anos de mandato concorrem ao segundo turno, marcado para 25 de outubro de 2026.
Se forem eleitos, os suplentes deverão assumir as cadeiras. Em dois desses casos, a substituição poderá alterar o equilíbrio entre as bancadas.
Alan Rick, do Republicanos do Acre, tem como primeiro suplente Gemil Júnior, do PSD. Omar Aziz, do PSD do Amazonas, tem como primeira suplente Cheila Moreira, do PT. A eventual posse dos suplentes mudaria a distribuição partidária da Casa.
A senadora Professora Dorinha Seabra, do União de Tocantins, também disputa o segundo turno. Sua primeira suplente, Professora Lu, pertence ao mesmo partido, de modo que uma eventual substituição não alteraria o tamanho da bancada da legenda.
Candidatura no Paraná ainda está sub judice
A composição do Senado também depende da situação eleitoral de Deltan Dallagnol, do Novo, eleito pelo Paraná. O registro da candidatura está relacionado a uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que declarou o ex-procurador inelegível em 2023 após sua renúncia ao cargo enquanto respondia a processo disciplinar.
O Tribunal Regional Eleitoral confirmou a candidatura, mas a acusação recorreu ao TSE. No sábado, 3 de outubro, o ministro relator, Floriano de Azevedo, havia indeferido o registro em decisão individual. O ato foi suspenso pelo presidente do tribunal, ministro Kassio Nunes Marques, até que o plenário da Corte analise o caso.
Se a inelegibilidade for confirmada, será necessária uma nova eleição no Paraná para preencher a vaga. O desfecho poderá alterar a composição partidária projetada para 2027.
Suplentes em exercício também entram no cálculo
Há ainda situações de senadores titulares licenciados ou afastados temporariamente. Jussara Lima, do PSD do Piauí, exerce o mandato no lugar de Wellington Dias, do PT, que ocupa o cargo de ministro do Desenvolvimento e Assistência Social.
Se Wellington Dias deixar o ministério e retornar ao Senado, a cadeira voltará a ser ocupada por um parlamentar do PT, alterando a composição prevista para o período. A substituição ocorre porque a cadeira pertence originalmente ao senador titular.
Lourdinha Pereira, do PSB do Maranhão, exerce o mandato no lugar de Ana Paula Lobato, também do PSB, que está licenciada até novembro. Como as duas pertencem à mesma legenda, o retorno da titular não deverá modificar a composição partidária.
Outro caso é o de Sargento Reginauro, do PSDB do Ceará, que ocupa temporariamente a cadeira de Eduardo Girão, do Novo. O mandato se encerra em janeiro e, por isso, não entra na projeção das bancadas para o início de 2027.
Senado terá mais bancadas, mas maior concentração no PL
A nova distribuição de cadeiras deverá aumentar a concentração de senadores em um único partido, mas o Senado terá mais bancadas no começo de 2027 do que no início da legislatura atual.
A projeção aponta 13 bancadas no próximo ano, contra 12 em 2023. O contraste está no tamanho relativo das legendas. No início da legislatura atual, os maiores grupos tinham números mais próximos. A partir de 2027, o PL deverá se distanciar dos demais partidos.
O PSD foi a legenda que mais perdeu cadeiras com as eleições de 2026. O partido tinha 15 senadores no começo da legislatura atual, passou a 13 no início deste ano e deverá contar com cinco integrantes a partir de 2027.
Embora PP e União integrem a federação União Progressista, registrada no Tribunal Superior Eleitoral desde março de 2026, os dois partidos são contabilizados separadamente no Senado. A regra de contagem preserva a identificação individual das bancadas na Casa.
Renovação também aumenta presença feminina
Dos 32 senadores que concorreram à reeleição em 2026, 14 conseguiram renovar o mandato. Dois senadores foram eleitos para governos estaduais ainda no primeiro turno.
A eleição também registrou a maior quantidade de mulheres eleitas para o Senado. Doze candidatas conquistaram uma cadeira, e a bancada feminina deverá chegar a 18 senadoras no início de 2027, o maior número da história da Casa.
O resultado eleitoral ainda indica uma composição partidária mais concentrada do que a observada em 2018, última eleição responsável pela renovação de dois terços do Senado. Naquele pleito, 20 partidos elegeram pelo menos um senador. Em 2026, foram 13 legendas.
A diferença também reflete mudanças no sistema partidário. Sete legendas que elegeram senadores em 2018 foram extintas depois de fusões ou incorporações. DEM e PSL deram origem ao União Brasil; PSC e PHS foram incorporados pelo Podemos; PROS foi incorporado ao Solidariedade; e PTB se fundiu ao Patriota, que passou a formar o PRD. O PRP havia sido incorporado ao Patriota antes dessa fusão.
Outros partidos mudaram de identidade. O antigo PR passou a se chamar PL; o PPS adotou o nome Cidadania; e o PRB passou a ser identificado como Republicanos.
Com a projeção atual, o PL deverá iniciar 2027 em posição inédita desde 1988, com a maior bancada partidária já registrada no começo de uma legislatura no Senado desde a Constituição. A confirmação do número final dependerá dos acontecimentos entre a eleição de 4 de outubro e a posse dos novos senadores, em fevereiro de 2027.
Fonte: Agência Câmara de Notícias.
Foto: Ton Molina/Agência Senado.




