sexta-feira, 25 de setembro de 2026
Manchetes

Como a floresta influencia a rotina dos moradores do Acre

A floresta no Acre faz parte da rotina de milhares de moradores e influencia atividades como transporte, extrativismo, agricultura familiar, alimentação e preservação ambiental.

A floresta no Acre não é apenas parte da paisagem. Para muitos moradores, ela define formas de trabalho, deslocamento, alimentação e convivência. A relação é especialmente forte entre povos indígenas, ribeirinhos, seringueiros, extrativistas e agricultores familiares, que utilizam recursos naturais e áreas de cultivo de acordo com as características de cada território.

O estado possui 16,4 milhões de hectares. Segundo a Secretaria de Estado do Meio Ambiente, cerca de 7,7 milhões de hectares estão em unidades de conservação e terras indígenas, áreas que têm regras próprias de proteção e uso dos recursos naturais. Essas áreas também abrigam comunidades que dependem da floresta para produzir, obter alimentos e manter suas práticas culturais. (sema.ac.gov.br)

Trabalho e geração de renda

Uma das principais influências da floresta aparece nas atividades econômicas. O extrativismo permite a coleta de produtos como castanha-do-brasil, açaí, borracha e copaíba. Esses itens podem ser consumidos pelas próprias famílias ou comercializados, ajudando a compor a renda dos moradores.

Levantamento da Embrapa aponta que 17 produtos do extrativismo não madeireiro são registrados no Acre. Castanha-do-brasil, açaí, borracha e copaíba aparecem entre os produtos de maior relevância econômica no estado. Na pesquisa anual de 2023, a castanha teve o maior valor de produção entre os produtos florestais não madeireiros analisados. (alice.cnptia.embrapa.br)

Além da coleta, muitas famílias combinam o extrativismo com agricultura de subsistência, criação de pequenos animais e sistemas agroflorestais. Esse modelo reúne árvores, cultivos agrícolas e, em alguns casos, espécies frutíferas na mesma área. A estratégia pode ampliar a produção sem exigir a retirada completa da vegetação.

Deslocamentos e acesso a serviços

Em comunidades localizadas nas proximidades dos rios, a água funciona como caminho para chegar a escolas, unidades de saúde, mercados e pontos de atendimento público. O tempo de viagem pode ser longo, principalmente quando a família vive distante dos centros urbanos ou depende de períodos adequados para a navegação.

Uma ação realizada na Terra Indígena Alto Rio Purus mostrou esse desafio: moradores precisavam enfrentar longas viagens de barco e estrada para chegar à agência bancária mais próxima. A iniciativa levou cartões do Programa de Aquisição de Alimentos diretamente aos agricultores, reduzindo a necessidade desse deslocamento. (gov.br)

Alimentação e conhecimentos tradicionais

A floresta também participa da alimentação cotidiana. Pesca, caça, coleta de frutos e cultivo em roçados podem fazer parte da rotina de comunidades indígenas e tradicionais. Em diagnóstico realizado pela Funai no Acre, as famílias entrevistadas mantinham roçados de diferentes idades e também registravam atividades de pesca, caça e extrativismo. (gov.br)

Esse modo de vida envolve conhecimentos sobre épocas de colheita, espécies úteis, caminhos, rios e condições do solo. O uso desses recursos, porém, precisa respeitar as regras ambientais e os planos de manejo de cada área. O manejo florestal comunitário é definido como o uso sustentável de produtos madeireiros, não madeireiros e serviços ambientais sob responsabilidade das próprias comunidades. (gov.br)

Por que a conservação afeta a rotina

Manter a floresta em pé ajuda a preservar fontes de alimentos, áreas de cultivo, cursos d’água e atividades econômicas. Por isso, ações de proteção ambiental também têm efeito direto sobre a vida das comunidades. No Acre, programas de agentes agroflorestais indígenas apoiam iniciativas de produção sustentável, educação ambiental, vigilância territorial e conservação da biodiversidade em terras indígenas. (programarem.ac.gov.br)

Na prática, entender a influência da floresta no Acre significa reconhecer que conservação e rotina estão ligadas. Para quem vive na cidade, essa relação pode aparecer nos alimentos, nos produtos extrativistas e na qualidade da água. Para quem mora em áreas rurais, indígenas ou ribeirinhas, ela pode determinar o calendário de trabalho, o caminho até outros serviços e parte essencial da subsistência.