Xapuri, no Acre, é um destino para quem deseja conhecer a história da Amazônia a partir de seus rios, seringais e espaços de memória. Às margens do Rio Acre, a cidade preserva referências do ciclo da borracha, da Revolução Acreana e da mobilização dos seringueiros em defesa da floresta. O município também é conhecido internacionalmente por sua ligação com Chico Mendes. (gov.br)
Como surgiu Xapuri
O povoado que deu origem a Xapuri surgiu por volta de 1883, em uma área estratégica próxima à confluência do rio Xapuri com o Rio Acre. A posição favoreceu o transporte de pessoas e mercadorias e ajudou a transformar a localidade em um importante entreposto comercial durante o ciclo da borracha.
A formação do município está relacionada à ocupação econômica da região por seringueiros, comerciantes e migrantes nordestinos. O nome Xapuri é associado ao povo indígena que habitava a área antes da expansão dos seringais. A municipalização ocorreu no início do século 20, em meio às disputas que marcaram a formação do Acre. (xapuri.ac.gov.br)
Rio Acre e Revolução Acreana
O Rio Acre foi fundamental para a circulação e o abastecimento de Xapuri. Antes da expansão das rodovias, os cursos d’água funcionavam como caminhos para o comércio da borracha e para a ligação entre os seringais e os núcleos urbanos.
A cidade também ocupa lugar relevante na Revolução Acreana. Segundo a Prefeitura de Xapuri, o povoado foi tomado pelas tropas de Plácido de Castro em 6 de agosto de 1902, episódio associado à etapa final do conflito entre brasileiros e autoridades bolivianas na região. O Acre foi oficialmente incorporado ao Brasil após o Tratado de Petrópolis, assinado em 17 de novembro de 1903. (xapuri.ac.gov.br)
Memória de Chico Mendes
Outro eixo da visita é a trajetória de Chico Mendes, seringueiro e liderança sindical que se tornou símbolo da defesa dos trabalhadores da floresta e da preservação da Amazônia. Na década de 1980, Xapuri foi um dos principais cenários dos chamados empates, mobilizações pacíficas contra o desmatamento e a expulsão de comunidades tradicionais.
A Casa de Chico Mendes, onde ele viveu e foi assassinado em 22 de dezembro de 1988, funciona como espaço de memória. O imóvel conserva móveis e objetos associados à vida do líder seringueiro e foi inscrito pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Livro do Tombo Histórico. (xapuri.ac.gov.br)
O que observar durante a visita
Para conhecer Xapuri, vale organizar o roteiro a partir de três referências: a área próxima ao Rio Acre, os espaços relacionados ao ciclo da borracha e a Casa de Chico Mendes. O Memorial Chico Mendes também aparece entre os pontos indicados pelo município para quem deseja compreender a história social e ambiental da cidade. (xapuri.ac.gov.br)
Durante o chamado verão amazônico, a redução do nível do Rio Acre pode revelar praias fluviais usadas para lazer. A paisagem, porém, varia conforme o período do ano e as condições do rio. Antes de viajar, é recomendável confirmar com os canais oficiais do município os horários de funcionamento dos espaços de visitação, eventuais atividades culturais e as condições de acesso.
Mais do que um passeio histórico, conhecer Xapuri significa entrar em contato com uma memória construída por povos indígenas, seringueiros, trabalhadores urbanos e comunidades tradicionais. A cidade reúne, em escala local, capítulos decisivos da formação do Acre e da história da defesa da floresta no Brasil.