Os geoglifos do Acre são grandes estruturas geométricas escavadas no solo, formadas principalmente por valetas e muretas de terra. Encontradas em diferentes áreas do estado, essas marcas revelam que a Amazônia foi ocupada, manejada e transformada por povos indígenas muito antes da chegada dos europeus.
Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), as estruturas aparecem com maior concentração na porção leste do Acre, especialmente em áreas próximas aos rios Acre e Iquiri. Há registros de formas circulares, quadradas e de outros desenhos geométricos, com dimensões variadas.
O que são os geoglifos
Os geoglifos não são pinturas feitas sobre a terra. Eles foram construídos por meio da remoção e do deslocamento de grandes volumes de solo, criando depressões e elevações visíveis principalmente a partir de pontos altos ou de imagens aéreas.
Os primeiros registros científicos dessas estruturas no Acre ocorreram na década de 1970. A partir dos anos 2000, pesquisas arqueológicas passaram a investigar os sítios de forma mais sistemática, com o uso de escavações, análise de vestígios e tecnologias de mapeamento.
O que eles revelam sobre a Amazônia
Pesquisas divulgadas pelo Iphan indicam que os geoglifos estão relacionados à ocupação da região por grupos indígenas há aproximadamente 2,5 mil anos. A construção das estruturas exigia planejamento, conhecimento do terreno e capacidade de mobilização de mão de obra.
Não existe uma interpretação única sobre a função dos geoglifos. Estudos levantam a possibilidade de que tenham sido utilizados em atividades sociais coletivas, cerimônias, práticas simbólicas ou outras formas de organização comunitária. Por isso, a arqueologia trata essas hipóteses com cautela e continua reunindo evidências.
O conjunto também ajuda a superar a ideia de que a floresta amazônica teria permanecido intocada até o período moderno. As estruturas mostram que populações indígenas interferiram na paisagem, organizaram territórios e desenvolveram técnicas próprias de manejo ambiental.
Onde estão e como conhecer
Os geoglifos estão distribuídos principalmente no leste do Acre, em áreas rurais e de difícil acesso. O Sítio Arqueológico Jacó Sá, localizado a cerca de 50 quilômetros de Rio Branco, foi inscrito pelo Iphan no Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico em 2018.
O tombamento reconhece a importância cultural do local, mas não significa que todos os sítios estejam abertos à visitação. Antes de planejar qualquer deslocamento, é necessário confirmar as condições de acesso, a existência de autorização e as orientações do proprietário ou responsável pela área e dos órgãos de preservação.
Cuidados para preservar o patrimônio
Quem encontrar uma estrutura arqueológica não deve escavar, retirar fragmentos, caminhar sobre as muretas ou alterar o terreno. Também é importante evitar o uso de veículos no interior dos sítios e não divulgar informações que possam facilitar ações de vandalismo ou coleta ilegal.
De acordo com o Iphan, descobertas de bens arqueológicos devem ser comunicadas ao instituto, responsável pelo reconhecimento e registro desse patrimônio. A preservação dos geoglifos depende da pesquisa científica, da fiscalização e da participação das comunidades que vivem no entorno.
