sexta-feira, 25 de setembro de 2026
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Extrativismo no Acre mantém renda, tradição e identidade cultural

O extrativismo no Acre continua presente na geração de renda, na conservação da floresta e na identidade cultural do estado. Castanha, borracha e açaí estão entre os principais produtos dessa atividade.

O extrativismo no Acre continua ligado à economia, à cultura e ao modo de vida de milhares de pessoas. A atividade envolve a coleta e o beneficiamento de produtos encontrados na floresta, como castanha-do-brasil, borracha, açaí, óleos vegetais e madeira manejada.

Embora o estado tenha diversificado sua produção com a pecuária, a agricultura e os serviços, a economia florestal ainda exerce papel importante, especialmente no interior. Para muitas famílias, o extrativismo funciona como fonte de renda, complemento da produção agrícola e forma de permanência no território.

Castanha, borracha e açaí são os principais produtos

A castanha-do-brasil é um dos produtos mais tradicionais do extrativismo acreano. A coleta ocorre principalmente no período da safra e envolve etapas como transporte, seleção, armazenamento e beneficiamento. Além de abastecer o mercado regional, a castanha também pode ser comercializada para outras partes do país e para o exterior.

A borracha, por sua vez, está ligada à própria formação histórica do Acre. O látex é retirado das seringueiras por meio do corte controlado da casca da árvore. Apesar da redução da produção em comparação com o auge do ciclo da borracha, a atividade permanece associada à identidade dos seringueiros e a políticas de apoio à cadeia produtiva.

O açaí também ganhou espaço entre os produtos florestais não madeireiros. Dados divulgados por órgãos públicos indicam crescimento da atividade em diferentes regiões, com destaque para o Vale do Juruá e o município de Feijó. O fruto é consumido localmente e pode gerar renda por meio da venda in natura, da polpa e de outros derivados.

Uma atividade ligada à conservação da floresta

Nas comunidades extrativistas, a floresta é fonte de produtos, alimento, remédios tradicionais e referências culturais. Por isso, o manejo sustentável é fundamental: a coleta precisa respeitar o ciclo das espécies e evitar a destruição das árvores e das áreas de reprodução.

As reservas extrativistas foram criadas para proteger os recursos naturais e garantir o modo de vida das populações tradicionais. No Acre, a Reserva Extrativista Chico Mendes simboliza essa relação entre conservação ambiental, organização comunitária e geração de renda. A unidade foi criada em 12 de março de 1990 e abrange municípios como Xapuri, Rio Branco, Brasiléia, Assis Brasil, Capixaba e Sena Madureira, conforme informações do ICMBio.

Extrativismo também é cultura

A atividade está presente nas técnicas de abertura das estradas de seringa, nas formas de organização das colocações, nos conhecimentos sobre plantas e rios e nas festas e narrativas das comunidades. Esses saberes são transmitidos entre gerações e ajudam a preservar a memória dos seringais e dos povos da floresta.

A trajetória de Chico Mendes, seringueiro e liderança de Xapuri, tornou essa cultura conhecida internacionalmente. Sua atuação em defesa dos trabalhadores e da floresta contribuiu para fortalecer a proposta das reservas extrativistas, modelo que busca conciliar moradia, produção e conservação ambiental.

Como a cadeia pode se fortalecer

O fortalecimento do extrativismo depende de melhores condições de transporte, assistência técnica, acesso a crédito, organização em cooperativas e agregação de valor aos produtos. Beneficiar a castanha, transformar o açaí em polpa e desenvolver produtos derivados da borracha são formas de aumentar a renda sem depender apenas da venda da matéria-prima.

O IBGE e o Governo do Acre reúnem dados sobre a produção agropecuária e extrativa. Consultar essas fontes ajuda a acompanhar mudanças nas cadeias produtivas e a entender como a floresta continua participando da economia e da cultura acreanas.