A castanha-do-brasil e a borracha ainda fazem parte da economia de muitas famílias do Acre. Embora o estado tenha ampliado atividades como a pecuária, a agricultura e o comércio, o extrativismo continua ligado à renda, à cultura e à permanência de comunidades tradicionais na floresta.
As duas cadeias produtivas também representam uma forma de uso econômico da floresta sem a necessidade de derrubada das castanheiras e seringueiras. No Acre, essa relação está presente em reservas extrativistas, comunidades rurais, associações e cooperativas que atuam na coleta, no beneficiamento e na comercialização dos produtos.
Castanha mantém peso na produção florestal
Entre os produtos florestais não madeireiros do Acre, a castanha-do-brasil ocupa posição de destaque. Segundo o Atlas da Bioeconomia Inclusiva na Amazônia, elaborado com participação da Embrapa, a pesquisa anual de 2023 registrou mais de 9 mil toneladas de castanha no estado, com valor de produção estimado em R$ 66 milhões. O levantamento aponta o produto como o de maior valor entre os itens extrativistas analisados no Acre. (alice.cnptia.embrapa.br)
A coleta costuma ocorrer durante o período chuvoso, quando os frutos caem das árvores. Depois de recolhidas, as castanhas passam por etapas de seleção, secagem, armazenamento e transporte. Em muitos casos, a organização coletiva é importante para melhorar a negociação com compradores e ampliar o acesso a mercados.
Cooperativas e organizações de produtores também podem agregar valor ao produto por meio do beneficiamento. A castanha pode ser comercializada com casca, descascada ou transformada em alimentos e outros itens, o que amplia as possibilidades de renda para as comunidades.
Borracha preserva uma atividade histórica
A borracha está ligada à formação econômica e social do Acre. O ciclo da borracha impulsionou a ocupação da região e marcou a história dos seringais, mas a atividade perdeu espaço ao longo do tempo diante da concorrência, dos custos de produção e das dificuldades de comercialização.
Mesmo assim, a extração do látex continua sendo realizada por seringueiros em diferentes áreas do estado. Programas públicos de apoio buscam fortalecer a cadeia por meio de subsídios, capacitação, fornecimento de equipamentos e melhoria das condições de produção. Em atualização de junho de 2026, o Programa REM Acre informou que 539 extrativistas recebiam subsídios da borracha e que 100 haviam sido capacitados e beneficiados com kits de corte. (programarem.ac.gov.br)
O apoio é considerado relevante porque a atividade exige deslocamentos longos, conhecimento técnico e trabalho contínuo na floresta. A renda obtida com a borracha, muitas vezes, é combinada com a coleta de castanha, a agricultura de subsistência, a criação de pequenos animais e outras atividades.
Renda e conservação caminham juntas
Para as famílias extrativistas, castanha e borracha não representam apenas produtos comerciais. Elas fazem parte de um sistema de vida baseado no uso diversificado dos recursos naturais. O Instituto de Mudanças Climáticas do Acre informa que investimentos em cadeias como borracha e castanha já alcançaram milhares de famílias no estado, com ações voltadas à produção, ao processamento e à comercialização. (imc.ac.gov.br)
O desafio é garantir que a atividade seja economicamente viável. Preços, transporte, acesso a crédito, assistência técnica e estrutura de beneficiamento influenciam diretamente o resultado obtido pelos produtores. Sem esses mecanismos, a coleta pode perder espaço para atividades que exigem a substituição da floresta.
Por isso, o futuro das cadeias da castanha e da borracha depende da combinação entre valorização do trabalho extrativista, organização comunitária e políticas de apoio. No Acre, manter esses produtos na economia significa preservar uma fonte de renda e, ao mesmo tempo, reconhecer o papel das populações que ajudam a conservar a floresta em pé.