A qualidade do ar tem relação direta com a saúde respiratória. No Acre, especialmente durante períodos de queimadas e estiagem, a fumaça pode aumentar a concentração de partículas e gases irritantes no ambiente. A exposição pode causar sintomas imediatos e agravar doenças preexistentes.
Segundo o Ministério da Saúde, a fumaça de incêndios florestais contém partículas finas e grossas, monóxido de carbono e outros poluentes. Essas substâncias podem irritar os olhos e as vias respiratórias, além de alcançar regiões mais distantes do local onde o fogo começou.
Como a poluição afeta a respiração
As partículas finas, como o material particulado com diâmetro de até 2,5 micrômetros, conseguem penetrar profundamente no sistema respiratório. A inalação pode provocar tosse, irritação na garganta, coriza, chiado, falta de ar e sensação de aperto no peito.
A poluição também pode aumentar a frequência ou a intensidade das crises de asma, bronquite e doença pulmonar obstrutiva crônica, conhecida como DPOC. Pessoas sem diagnóstico prévio podem apresentar desconforto respiratório após um período de exposição intensa, principalmente quando a fumaça permanece concentrada.
A baixa umidade do ar pode agravar o incômodo porque resseca as mucosas do nariz, da garganta e dos brônquios. A combinação entre fumaça, calor e ar seco tende a aumentar a irritação das vias respiratórias.
Quem precisa ter mais cuidado
Crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com asma, DPOC, bronquite, doenças cardíacas ou baixa imunidade estão entre os grupos mais vulneráveis. Nesses casos, a exposição pode levar à piora dos sintomas e à necessidade de atendimento médico.
Durante episódios de má qualidade do ar, é importante observar sinais como tosse persistente, dificuldade para respirar, chiado, cansaço fora do habitual e piora de sintomas já conhecidos. Pessoas que usam medicamentos prescritos para crises devem mantê-los disponíveis e seguir a orientação da equipe de saúde.
Cuidados para reduzir a exposição
Quando houver fumaça ou alerta de poluição, a recomendação é reduzir o tempo ao ar livre e evitar atividades físicas intensas em locais abertos. Sempre que possível, permaneça em ambientes internos, mantenha portas e janelas fechadas nos períodos de maior concentração de poluentes e procure melhorar a circulação do ar quando a fumaça diminuir.
Beber água regularmente ajuda a manter as vias respiratórias hidratadas. Se for necessário sair, máscaras do tipo N95, PFF2 ou P100, ajustadas corretamente ao rosto, podem reduzir a inalação de partículas. A máscara, porém, não substitui a orientação de evitar a exposição.
Também é recomendável acompanhar os alertas oficiais, as previsões meteorológicas e os dados de qualidade do ar. O monitoramento do Ministério da Saúde reúne informações sobre focos de calor, níveis de poluição e população potencialmente exposta.
Quando procurar atendimento
A assistência médica deve ser procurada diante de falta de ar, dor ou aperto no peito, confusão, lábios arroxeados, piora rápida dos sintomas ou dificuldade para realizar atividades habituais. Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias devem receber atenção ainda mais rápida.
A qualidade do ar não depende apenas da percepção da fumaça. Mesmo quando ela não está visível, partículas e gases podem permanecer no ambiente. Por isso, em períodos de queimadas no Acre, acompanhar os alertas e reduzir a exposição são medidas importantes para proteger a saúde.