A farinha de Cruzeiro do Sul é uma presença tradicional na mesa acreana e um dos produtos mais associados à identidade do Vale do Juruá. Produzida a partir da mandioca cultivada na região, ela é resultado de um saber-fazer familiar e comunitário transmitido entre gerações.
O produto é consumido no dia a dia por famílias do Acre e também ganhou espaço fora do estado. Sua reputação está ligada às características desenvolvidas durante o processo artesanal, como sabor marcante, textura granulada, coloração viva e crocância.
Tradição construída no Vale do Juruá
A produção de farinha de mandioca na região é realizada há mais de um século. De acordo com o caderno técnico da Indicação de Procedência, essa tradição se consolidou a partir da ocupação do Acre e da chegada de migrantes nordestinos, especialmente no início do século 20.
O trabalho envolve o cultivo da mandioca e o beneficiamento do produto em casas de farinha. Em muitas comunidades, as atividades são organizadas entre familiares e vizinhos, mantendo uma dinâmica de cooperação que faz parte da cultura rural do Juruá.
Além de alimentar as famílias, a produção de farinha tem importância econômica para pequenos agricultores. O cultivo da mandioca e a fabricação do alimento estão entre as principais atividades produtivas de municípios da região, contribuindo para a geração de renda e para a segurança alimentar.
Indicação de Procedência reconhece origem e qualidade
A farinha de Cruzeiro do Sul recebeu o registro de Indicação de Procedência no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em 22 de agosto de 2017. O reconhecimento relaciona o nome do produto à reputação construída no território e estabelece regras para o uso da identificação oficial.
A área delimitada abrange cinco municípios do oeste do Acre: Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Porto Walter e Marechal Thaumaturgo. A coordenação da indicação é feita pela Central das Cooperativas dos Produtores Familiares do Vale do Juruá, conhecida como Central Juruá.
Segundo o caderno técnico do INPI, a farinha reconhecida pela indicação deve seguir as condições definidas para a região e preservar as características associadas ao modo de produção local.
Produto que representa a culinária acreana
Na alimentação acreana, a farinha pode acompanhar diferentes refeições e preparos, funcionando como ingrediente, complemento ou elemento de textura. A preferência pelo produto está ligada tanto ao sabor quanto à memória afetiva de quem cresceu consumindo a farinha produzida nas comunidades do interior.
O reconhecimento oficial ampliou a visibilidade de um alimento que já fazia parte da rotina regional. Em 20 de dezembro de 2024, a Lei nº 15.051 conferiu a Cruzeiro do Sul o título de Capital Nacional da Farinha de Mandioca.
A homenagem reforça a importância histórica e econômica da atividade, mas a permanência da tradição depende do trabalho cotidiano dos produtores. É nas áreas de cultivo e nas casas de farinha que a identidade do produto continua sendo preservada, mantendo a farinha de Cruzeiro do Sul como símbolo da mesa e da cultura do Acre.